terça-feira, outubro 19, 2021

Escorpiões venenosos no Brasil

Os escorpiões venenosos são animais pertencentes ao filo Arthropoda e são responsáveis por muitos acidentes, pois possuem um ferrão ou telson (aonde tem o par de glândulas que produz o veneno e o aparelho inoculador) localizado na cauda para injetar veneno em caso de defesa ou para capturar suas presas.

Os escorpiões são animais sinantrópicos, ou seja, espécies que se adaptam para coexistir com humanos. Existem 1600 espécies catalogadas de escorpiões em todo o nosso planeta, no Brasil existem aproximadamente 140 espécies de escorpiões conhecidas.

Eles são carnívoros, predadores de insetos e aranhas, mas podem caçar animais maiores, até mesmo pequenos vertebrados. Por terem visão ineficaz desenvolvida ao longo da evolução, possuem cerdas sensoriais que ajudam a identificar vibrações e todo tipo de movimento ao seu redor, também podem detectar quimicamente a presença de outros animais.

Os escorpiões só se alimenta de presas vivas. Pode passar meses em jejum, a digestão é considerada quase externa porque depositam enzimas digestivas na presa, então cortam os pedaços, mas só ingerem a parte líquida. O canibalismo é comumente praticado por todas as espécies de escorpiões.

As três principais espécies de escorpiões peçonhentos que habitam o Brasil são o escorpião marrom (Tityus bahiensis), o escorpião amarelo (Tityus serrulatus) e o escorpião do nordeste ou escorpião amarelo do nordeste (Tityus stigmurus ). Estas 3 espécies são consideradas importantes para a saúde pública no Brasil.

Escorpião do Nordeste ou amarelo do Nordeste (Tityus stigmurus).

O escorpião do Nordeste ou amarelo do Nordeste (Tityus stigmurus) habita a região Nordeste do Brasil, estão presente nos estados de Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte, Bahia, Piauí, Paraíba, Ceará, e Sergipe. Esta especie é de cor amarelada escura na forma de camuflagem para se esconder em solos arenosos, possui uma faixa longitudinal mais escura na região do cefalotórax e um triângulo negro na cabeça, tem um comprimento de aproximadamente 7 centímetros.

Este escorpião se alimenta principalmente de aranhas, insetos e pratica o canibalismo, em ambientes urbanos sua principal dieta são as baratas. Eles vivem em ambientes preferencialmente quentes e úmidos, como casas de barro e madeira empilhada úmida.

Eles tem hábitos noturnos. Reproduz-se praticamente na íntegra por partenogênese, ou seja, as fêmeas não precisam se acasalar com os machos, o que é importante para sua reprodução porque o aparecimento dos machos é muito raro, as fêmeas dão à luz em média de 8 a 14 filhotes.

Escorpião marrom (Tityus bahiensis)

O Escorpião marrom (Tityus bahiensis) é uma espécie de escorpião das regiões Leste, Sul e Centro do Brasil, principalmente na Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Santa Catarina, Goiás, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Paraná. Seu tamanho varia de 5 a 7 centímetros de comprimento (os escorpiões machos são maiores que as fêmeas), tem uma cor de corpo muito escura e patas marrons.

Esta espécie de escorpião possui uma mancha de cor negro no meio da coloração marrom-amarelada de suas extremidades no último segmento de seus pedipalpos. Não possui serrilha na cauda. A expectativa de vida dos machos e as fêmeas varia de 3 a 4 anos.

Esta espécie não é tão agressiva, mas as fêmeas durante a gravidez apresentam uma agressividade notável, principalmente quando carregam os filhotes nas costas. Quando perturbados, eles agitam suas caudas como um gesto de advertência aos predadores.

Quando forem machos se perturbarem, fugirão, mas se o desconforto persistir, não hesitará em picar e inocular seu veneno neurotóxico, o veneno desta espécie é menos poderoso que o do escorpião amarelo. Eles têm hábitos noturnos, saem à noite para caçar e sua dieta principal são aranhas, larvas de insetos, grilos, baratas e tenebrios.

Escorpiões venenosos

O escorpião marrom só acasala à noite e se reproduz sexualmente, suas populações não aumentam muito em comparação com as dos escorpiões amarelos e do nordeste. Cada fêmea tem aproximadamente 2 partos (a gestação dura até 4.2 meses) com uma média de 20 filhotes cada, por ano, alcançando 160 filhotes ao longo da vida. Cada fêmea tem uma média de 2 nascimentos (a gestação dura até 4.2 meses) com aproximadamente 20 filhotes cada, por ano, chegando a 160 filhotes ao longo da vida.

Escorpião amarelo (Tityus serrulatus)

O escorpião amarelo (Tityus serrulatus) habita as regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, mais especificamente, eles são encontrados na Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo. Seu hábitat natural é o Cerrado e na regiões urbanas podem se encontrar junto a roupas, dentro de sapatos, sob as pedras ou entre os escombros.

Possui tronco de cor escura e patas e cauda amarelo-claras. Pode medir até 7 centímetros de comprimento. Possui uma serrilha no terceiro e quarto anel da cauda (por isso é o nome desta espécie), apresenta uma mancha castanho-escura no final da cauda (antes do telson – ferrão). Este escorpião tem hábitos noturnos e gosta de ambientes quentes e úmidos.

Durante o verão é a melhor época para se proliferar, mas no período das chuvas, procura outros locais para se abrigar. Este escorpião é considerado a espécie com o veneno mais poderoso de toda a América do Sul que ataca diretamente o sistema nervoso periférico (neurotóxico).

Escorpiões venenosos

O escorpião amarelo é carnívoro, pode sobreviver por muito tempo sem se alimentar. Além de serem canibais, eles também comem aranhas e baratas em sua dieta. Sua reprodução é vivípara e ocorre por partenogêneses, ou seja, as fêmeas tem a capacidade de se reproduzir sem fecundação, sem a necessidade de acasalar. Isso permite que um único espécime se desloque para um novo local e se reproduza e desenvolva uma colônia, fenômeno que facilita sua dispersão.

O período de gestação é de aproximadamente 3 meses em que cada mãe tem aproximadamente 2 ou 3 partos por ano, nos quais podem gerar até 30 embriões que se desenvolvem dentro da mãe. O período entre o nascimento e a dispersão da prole é de aproximadamente 14 dias. Durante o parto a fêmea apóia-se nas patas traseiras e com as patas dianteiras faz uma espécie de “cesta”, os recém-nascidos usam essa “cesta” para se subir nas costas da mãe e só descerão dali quando ocorrer a primeira mudança da pele, depois disso os filhotes saem do corpo da mãe e passam a ter uma vida independente.

Márcia Pereira
Editora Chefe, amante dos animais e uma fiel protetora deles
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